aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

VENCEDOR


Ei-lo!... Bocas de lodo espreitam-lhe o caminho,
E enquanto vazam fel, achincalhe e veneno,
Grita a inveja: «maldigo!» e a treva diz «condeno!»...  
Ele chega e faz luz, fatigado e sozinho.

Arde-lhe o peito opresso em férvido cadinho,
Sofre a conflagração do chavascal terreno...
Cai sustentando o bem, ferido mas sereno,
- Clarão acorrentado a torvo pelourinho.

Por amar e servir aos sonhos redentores,
Tem chaga por lauréis e escárnios por louvores,
E morre esfrangalhado a repelão perverso...

Mas do corpo tombado a vida se derrama!
Ei-lo!... O herói redivivo - estrela, cume, flama!  
Bravo conquistador das glórias do Universo!...

Carlos Bittencourt