aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

SUICIDA


Preso e liberto, em treva e luz, a simultâneo 
Jogo de angústia e horror, junge-se à carne morta... 
Varara a sepultura, agredindo-lhe a porta, 
Estraçalhara a tiro as tênebras do crânio. 
Desencarnado, enfim, mas cativo à comporta 
Da consciência a esvurmar-lhe o cérebro vulcâneo, 
Foge à furna e recua a terror instantâneo, 
Chora e espanta-se mais, grita e se desconforta...  
Suicida!... Morto e vivo, arrasta-se, tateia, 
Ergue-se, treme, cai... Respira lodo e areia, 
No recinto abismal, sofre a verdade crua... 
E, lá fora, a esperá-lo, o caminho opulento, 
O céu, a terra, o lar, a fonte, a flor, o vento... 
Buscara a morte em vão... A vida continua!... 
Embora a dor e o pranto, não permitas 
Que a tua fé sublime se abastarde... 
Abraça a luta e segue para a frente, 
Antes que seja tarde. 
Não olvides que o túmulo te espera 
Sem que a pompa terrena te resguarde. 
E busca em Cristo a Vida Soberana, 
Antes que seja tarde. 

Honório Armond