aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

SOLILÓQUIO


Os torvos corações, náufragos de mil vidas 
Distantes de Jesus, que nos salva e aprimora, 
Sob o guante da dor, caminham de hora a hora, 
Para o inferno abismal das almas consumidas... 
Sementeiras de pranto, aflições e feridas, 
No pecado revel que os requeima e devora... 
Depois, a escuridão da noite sem aurora 
E o sarcasmo cruel das ilusões perdidas... 
Alma triste que eu trago, ensandecida e errante, 
Porque fugiste, assim, no milagroso instante? 
Porque rogar mais luz, se, estranha, te sublevas? 
Ah! Mísera que foste, hesitante e covarde... 
Não lamentes em vão, nem soluces tão tarde... 
Procuremos Jesus, além de nossas trevas! 

João Guedes