aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

RESTAURAÇÃO


Vejo-te, herói marcial!...Soam clarins e trompas. 
Brandes a espada ao sol, estrondeia a batalha!...  
Gritas, no infando caos e, ao grito da metralha, 
Lamenta o povo a guerra, a pedir que a interrompas.  

Ao teu carro triunfal de púrpuras e pompas, 

Tudo treme, maldiz, soluça e se estraçalha... 
Segues e o próprio chão faz-se fogo e fornalha, 
Nem cerco, assédio, praça ou muro que não rompas!... 

Amedalhado soba, ergues, árdego e pluma!... 

Surge a morte, no campo, e o peito se te embruma...  
Vencido, as emoções em blasfêmias sublevam!... 

Mas, reencarnado, enfim, guardas, por elmo e escudo, 

O corpo mutilado, inerme, surdo, mudo, 
E o choro de quem lembra o naufrágio nas trevas!...

Valentim Magalhães