aqui mora a poesia...

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POEMA DE GRATIDÃO


Lembra-me, Mãe querida, a glória que me deste, 
A alegria do lar no lençol de cravinas, 
A mesa, o livro, o pão e as canções cristalinas, 
As preces de ninar, no humilde berço agreste. 

Ao perder-te, no mundo, o carinho celeste, 
Vendo-te as mãos em cruz, quais flores pequeninas, 
Fui chorar-te, debalde, ao pé das casuarinas, 
Buscando-te a presença entre a lousa e o cipreste!... 

Entretanto, do Além,caminhavas comigo, 
Vinhas, a cada passo, anjo piedoso e amigo, 
Guardar-me o coração na fé radiante e calma. 

E, quando a morte veio expor-se à noite escura, 
Solucei de alegria, em preces de ternura, 
Em te revendo a luz, conduzindo minha'alma!...

Abilio Barreto