aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

PÁGINA AO HOMEM

 Romeiro da ansiedade, em lágrimas avanças, 
A estrada é solidão enquanto a luz declina, 
Esbravejam bulcões na tela vespertina, 
Faz-se a noite aguaceiro em súbitas mudanças!... 

Nem estrelas no céu, nem lar nas vizinhanças, 
Mais granizo a descer, mais sombra, mais neblina... 
A tempestade ruge, o caos troa e domina, 
A calhaus e marnéis mais trôpego te lanças!... 

Não temas! Segue e vence a lúrida procela, 
Não procures saber se o frio te enregela, 
Nem te prendas ao fel da senda atormentada... 

Resguarda-te na fé! Sofre, luta, porfia!... 
Renascerá da treva a bênção de outro dia 
Nos caminhos de sol da nova madrugada.

Alceu Wamost