aqui mora a poesia...

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O POÇO E A ROSEIRA


O poço retratava a roseira tristonha 
E pensava consigo: "Ah! terríveis chavelhas!  
Espinheiro infernal, quanta maldade espelhas!...  
Laminas e punhais infortúnios e vergonha...

" A roseira, porém, como quem serve e sonha, 
Expandiu-se e lançou-se lindas jóias vermelhas,  
Astro verde a luzir em formosas centelhas, 
E o poço, a condenar, fez-se charco e peçonha!... 

A cisterna infeliz, no desvão da chapada, 
Apodreceu, por fim, preguiçosa e estagnada, 
Mas a planta floriu ao sol do Grande Todo. 

Alma, edifica e segue, abençoa e auxilia... 
Mal que procura o bem se faz bem, dia-a-dia, 
Mal que fica no mal se faz tóxico e lodo.

Antonio Felix