aqui mora a poesia...

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O GENRO NETO


Toda sogra que há na vida, 
No caminho meu ou teu, 
Será sempre mãe querida 
-Outra mãe que o Céu nos deu. 

Deus recomenda isso em paz, 
Se hoje estás na oposição. 
Mas tarde, concordarás 
Na lei da reencarnação. 

Guarda esta simples verdade 
- Das lições de mais valor: 
Deus criou a humanidade 
para a vitória do amor. 

Se não crês no que te digo, 
Se estimas lutas no lar, 
Escuta, meu caro amigo, 
A história que vou contar; 

"Sogra, não! nem à custa de madraça!" 
-Gritava Nhô tatão de Albergaria - 
"Só de encontrar Nhá Bela, tenho azia, 
 O que sinto se vejo jararaca." 

Se a sogra vinha em casa, discutia, 
Xingava o perdigueiro, puna a faca... 
Mas, certa vez, Tatão, caçando paca, 
teve ataque e morreu no mesmo dia"... 

Desencarnado, em trevas, quis mais prova 
E renasceu da esposa, moça nova, 
Em novo lar no Sítio da Cancela... 
Hoje, só quer vovó, o dia inteiro, 

É um menino gorducho e beijoqueiro, 
No colo carinhoso de Nhá Bela...

Cornélio Pires