aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

O ENJEITADO

Mulher moça abandona, em grande pátio imundo, 
O filhinho que, em vão, lhe dera a vida ao seio; 
Depois, vende prazer, comprando, a bolso alheio, 
A posição faustosa e o renome infecundo. 

Corre o tempo...Mais tarde, aos empuxões do mundo, 

Certa noite, ela aguarda alguém para recreio... 
Entra um jovem ladrão, abre-lhe o cofre cheio, 
A dama roga auxílio e agarra o vagabundo... 

Ele brande o punhal e o sangue se lhe verte... 

Agonizante, fita - embora o corpo inerte - 
O rapaz que lhe furta as jóias do peitilho ; 

Súbito, encontra nele o enjeitado de outrora, 

E, tarde, a pobre mãe debalde grita e chora:  
- «Perdoa-me, Senhor!... Não me mates, meu filho!...» 

Narciso Amália