aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

NOS DOIS LADOS


Acompanho o velório do Nhô Tino... 
Desencarnara em grande bebedeira; 
Mas o povo dizia noite inteira 
Que comera manga com pepino. 

De tarde, sigo o enterro, a reza, o sino... 
Junto à curva falou Janjão Ferreira: 
-"Nhô Tino está na glória verdadeira, 
Foi um santo de Deus, desde menino..." 

Alguém destampa o esquife... É a despedida... 
Nhô Tino sai do corpo. Na corrida, 
Gesticula, tropeça, xinga e passa... 

Depois, sumiu dois anos mato afora... 
Hoje, encontrei Nhô Tino, em Pirapora, 
Agarrado num quinto de cachaça.

Cornélio Pires