aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

NO SÉCULO XX


Homem, não vale o cérebro vulcâneo 
Votado à ciência que te desconforta, 
Na vocação para a matéria morta 
Que extravasa, terrível, de teu crânio. 

Cogumelo que pensa subitâneo 
Emparedado em cárcere sem porta, 
Se preferes a espada, que te importa 
A grandeza dum átomo de urânio? 

Foge à extrema penúria que te aguarda 
A inteligência lúbrica e bastarda, 
Incauta penetrando abismos tredos... 

Não prossigas sem Deus, cindindo os ares! 
Ai da Terra infeliz se decifrares 
Toda a extensão dos cósmicos segredos!

augusto dos Anjos