aqui mora a poesia...

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Meninos carvoeiros


Os meninos carvoeiros 
Passam a caminho da cidade. 
- Eh, carvoeiro! 
E vão tocando os animais 
com um relho enorme. 
Os burros são magrinhos e velhos. 
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha. 
A aniagem é toda remendada. 
Os carvões caem. 
 (Pela boca da noite vem uma velhinha 
que os recolhe, dobrando-se com um gemido.) 
- Eh, carvoeiro! 
Só mesmo estas crianças raquíticas 
Vão bem com estes burrinhos descadeirados. 
A madrugada ingenua parece feita para eles... Pequenina, ingenua miséria! 
Adoráveis carvoeirinhos 
que trabalhais como se brincásseis!
-Eh, carvoeiro! 
Quando voltam, vêm mordendo 
um pão encarvoado, 
Encarrapitados nas alimárias, 
Apostando corrida, 
Dançando, bamboleando nas cangalhas 
como espantalhos desamparados.