aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

MARIA BONECA


Reencontrei-te, por fim, esmolando na rua. 
Nada recorda em ti a dama do castelo. 
Lembro-me!... Dás à fossa o filho louro e belo, 
Esqueces, gozas, ris... E a festa continua... 


Depois, a morte vem... A memória recua... 
Escutas em ti mesma o trágico libelo, 
Choras, nasces de novo e trazes por flagelo 
A sede de ser mãe que a demência acentua!... 

Como dói ver-te agora os tristes olhos baços! 
Guardas, louca de amor, um boneco nos braços, 
Em torno, há quem te apupe a trilha merencória... 

Mas bendize, senhora, a lei piedosa e austera, 
Alguém vela por ti: o filho que te espera 
E há-de levar-te aos Céus em cânticos de glória!... 

Epiphanio Leite