aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

LIBERTO ENFIM


Outrora, à frente de conquistadores, 
Num trono de fantásticas riquezas, 
Despojando cidades indefesas, 
Comandei o cortejo de esplendores! 

Depois... infernos atormentadores, 
Braseiros vivos, maldições acesas, 
Ligado a angustia de milhões de presas, 
Apunhalado o peito por mil dores... 

Depois ainda... um reino de feridas. 
Um sólio de aflições desconhecidas 
E um cetro de degredo e solidão... 

Mas, em seguida à lepra que devora, 
Deslumbrando, acordei na Eterna Aurora, 
De alma liberta para a redenção.

Jesus Gonçalves