aqui mora a poesia...

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HORA DA MORTE

                                                                                                
Aproxima-se a morte e em pranto me confundo... 
- Que sabes de ti mesmo? - a Dúvida reclama. 
A Fé, porém, sussurra em torno do meu drama : 
- Descansa e pensa em Deus, sobre as mágoas do mundo!... 

Abeiro-me do fim, de segundo a segundo, 

Na câmara do olhar a treva se derrama, 
Extrema inércia invade o casulo de lama, 
Falena, ergo-me e vibro ao sol de que me inundo. 

Refaz-se-me a visão, entro em êxtase e prece, 

A alegria refulge, o sofrimento esquece,
Vertem dos Céus canções de paz indefinida... 

Ébrio de luz, exalto, em mágico transporte, 

O soluço da vida ante a festa da morte 
E a tristeza da morte, ante a glória da vida!

Azevedo Cruz