aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

FIM DE PROVA


Lembro-te, velha amiga, o cetro de rainha!... 
Crias dominações por láureas prediletas... Mandas!... 
No entanto, oh! Deus, daquilo que decretas 
A penúria se expande e a lágrima caminha!... 
Deixei-te, há longo tempo, entre as arcas repletas... 
Hoje, quis reencontrar-te, oh! soberana minha, 
E achei-te reencarnada, anônima e sozinha, 
Num catre de aflição, gemes, sonhas, vegetas... 
Dos colares e anéis que te enfeitam tanto, 
Tens chagas por rubis e pérolas de pranto!... 
E sofro ao ver-te a lepra em purpúreas verminas... 
Mas louva, oh! soberana, a angústia transitória!... 
Pela dor subirás ao reino de outra glória, 
No teu coche real de açucenas divinas!... 

Epiphanio Leite