aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Estrada


Esta estrada onde moro, 
entre duas voltas do caminho, 
Interessa mais que uma avenida urbana. 
Nas cidades todas as pessoas se parecem. 
Todo o mundo é igual. 
Todo o mundo é toda a gente. 
Aqui, não: sente-se bem 
que cada um traz a sua alma. 
Cada criatura é única. 
Até os cães. 
Estes cães da roça parecem homens de negócios: Andam sempre preocupados. 
E quanta gente vem e vai! 
E tudo tem aquele caráter impressivo 
que faz meditar: 
Enterro a pé ou a carrocinha de leite 
puxada por um bodezinho manhoso. 
Nem falta o murmúrio da água, 
para sugerir, pela voz dos símbolos, 
Que a vida passa! que a vida passa! 
E que a mocidade vai acabar.