aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

ENTRE O CÉU E A TERRA


Flámeas naves triunfais cuja glória me inspira, 
Contemplo-vos de novo, além, no imenso mar... 
Sóis que cindis o Azul, fito-vos a sonhar, 
Sírius, Aldebaran, Canópus, Veja, Lira!... 

Presa ao nosso fulgor, minh'alma põe-se à mira,  
Quero seguir convosco, acender, renovar, 
Mas escuto, outra vez, os lamentos do lar; 
O meu ninho terrestre, em sombra, gira, gira... 

Entre júbilo e dor, êxtase e desventura, 
Aos apelos do amor, regresso à noite escura, 
Devo tornar ao mundo e chorar, ai de mim! 

A sede de amplidão arrasa-me o descanso, 
Ah! Senhor, como é perto o Céu que não alcanço: 
Como parece longe a Terra de onde vim!...

Olegário Mariano