aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

DO CÉU A TERRA


Via-vos, áureos sóis, por lágrimas nas trevas 
Que Deus chorasse em torno à Terra de onde vim!... 
Liberto agora à luz das plagas do sem-fim, 
Fito-vos a amplidão das grandezas primevas... 

Ah! pobre coração, a que porto te elevas, 
No etéreo mar varrido a fogo carmesim? 
Reconsidera, pensa e detém-te - ai de mim! -, 
Perquirindo o montão das dívidas longevas!... 

Precedendo incursões miríficas na Altura, 
Impõe-te a Lei voltar ao lodo que te apura, 
A sofrer, vendo ao longe o Sonho, a Pátria, o Lar!... 

Retorna à cruz do corpo, ama, chora e confia; 
Amando e padecendo, alcançarás, um dia, 
A força de ascender e a glória de chegar.

Antonio azevedo