aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

DIANTE DA TERRA


Fugindo embora à paz de eternos dons divinos, 
Sem furtar-se, porém, à luta que aprimora, 
O homem é o semeador dos seus próprios destinos, 
Aves tristes da noite, esquivando-se à aurora... 


Em derredor da Terra, estrelas cantam hinos, Glorificando a luz onde a Verdade mora, 
Mas no plano da carne os impulsos tigrinos 
Fazem a ostentação da miséria que chora! 

Necessário vencer nos vértices medonhos, 
Santificar a dor, as lagrimas e os sonhos, 
Do inferno atravessar o abismo ígneo e fundo 

Para ver a extensão da noite estranha e densa, 
Que servos da maldade e os filhos da descrença estenderam, sem Deus, sobre a fronte do mundo!...

Edmundo Xavier de Barros