aqui mora a poesia...

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DEUS TE VÊ


Deus te vê, alma querida, 
Quando te pões na trilha escura, 
Para ajudar aos filhos da amargura 
Que tanta vez se vão 
Como sombras errantes no caminho 
— Chagas pensantes ao relento —, 
Entre as nuvens do Pó e as pancadas do Vento, 
Com saudades do Pão... 
Deus te vê a mensagem de bondade 
Com que suprimes ou reduzes 
As provações, as lágrimas e as cruzes 
Dos que vagam na rua sem ninguém, 
E te agradece as posses que desprendes, 
No auxílio ao companheiro em desamparo, 
Seja um tesouro inesperado e raro, 
Seja um simples vintém!... 
Deus te vê quando estendes braço amigo 
Aos que carregam lenhos de tristeza, 
Doando-lhes o afeto, o abrigo, a mesa, 
O remédio, a camisa, o cobertor... 
E, por altos recursos sem que o saibas, 
Manda que a Lei te aumente os dons divinos, 
Em mais belos destinos, 
Para a glória do amor. 
Deus te vê na palavra com que ensinas 
A senda clara e boa 
Da verdade que alenta e que abençoa 
Sem perturbar e sem ferir... 
E determina aos homens que teu verbo 
Seja apoiado, aceito 
E ouvido com respeito, 
Na construção excelsa do porvir. 
Deus te vê quando acolhes sem revide 
O golpe da pedrada que te insulta, 
O braseiro da ofensa, a dor oculta 
Em ferida mortal...
E te louva o perdão espontâneo e sincero 
Com que ajudas o Céu no trabalho fecundo 
De extinguir sem alarde, 
entre as sombras do mundo, 
A presença do mal!... 
Deus te vê, através da caridade!... 
Mas não só isso... 
Em paz calada e santa, 
Pede alguém que te siga e te garanta 
Na jornada de luz!... 
E, por isso, onde estás, rujam trevas em torno, 
Sofras humilhação, injúria, cativeiro, 
Tens contigo um sublime companheiro: 
Nosso Amado Jesus!... 

Maria Dolores