aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

DESLUMBRAMENTO


Além, etéreo lume em festa se desata!... 
De irisado esplendor o Universo se anima. 
Cachos de flâmea luz da celeste vindima 
Vertem pepitas de ouro em torrentes de prata. 
O bailado de sóis enternece e arrebata... 
Em torno, o ar alimenta, a música sublima!... 
Celos e bandolins, quem vos tange de cima?! 
Tudo é glória sem sombra e júbilo sem data. 
Subo!... No Espaço, entanto, atônito me vejo 
Entre alegria e dor, plenitude e desejo... 
Súbito, volto à Terra em ternura incontida... 
Beijo, encantado, o pó das sendas que transponho 
E agradeço, oh! Senhor, no templo do meu sonho, 
Os cânticos da morte e os soluços da vida!...

Olegário Mariano