aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

CULPA E RESGATE

- «Morte ao mouro na roda! 
Eu, Marquês, determino!...» 
Bradava Dom Vidal, 
de flórea platibanda. 

E, de cabeça em fogo, 
a vitima demanda : 
 - «Valei-me, ó Tribunais do Socorro Divino!» 
Outros mouros se vão, 
a regalos de sino... 

Um dia, Dom Vidal, 
enquanto se desmanda, 
Vê a morte chegar... 
Cede-lhe à força branda, 
Mas, liberto da carne, 
é um louco sem destino. 
 Correm tempos de dor... 
O fidalgo violento 
 Renasce em provação!... 
Penúria, sofrimento... 
Paranóico e obsesso, 
exibe pompa espúria. 
 Alucinado agora, 
em tugúrio singelo, 
 Proclama : «Eu sou Marquês!... 
Quem roubou meu castelo? >; 
Depois tomba na laje em acessos de fúria...

Valentim Magalhães