aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Confissão


Se não a vejo e o espírito a afigura, 
cresce este meu desejo de hora em hora... 
Cuido dizer-lhe o amor que me tortura, 
O amor que a exalta e a pede e a chama e a implora. 

Cuido contar-lhe o mal, pedir-lhe a cura... 
Abrir-lhe o incerto coração que chora, 
mostrar-lhe o fundo intacto de ternura, 
agora embravecida e mansa agora... 

E é num arroubo em que a alma desfalece 
de sonhá-la prendada e casta e clara, 
que eu, em minha miséria, absorto a aguardo... 

Mas ela chega, e toda me parece 
tão acima de mim.., tão linda e rara... 
Que hesito, balbucio e me acobardo.