aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Camelôs


Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão: 
O que vende balõezinhos de cor 
O macaquinho que trepa no coqueiro 
O cachorrinho que bate com o rabo 
Os homenzinhos que jogam boxe 
A perereca verde que 
de repente dá um pulo que engraçado 
E as canetinhas-tinteiro 
que jamais escreverão coisa alguma. 
Alegria das calçadas 
Uns falam pelos cotovelos: 
- "O cavalheiro chega em casa e diz: 
Meu filho, vai buscar um pedaço de banana 
para eu acender o charuto. 
Naturalmente o menino pensará: 
Papai está malu..." 
Outros, coitados, têm a língua atada. 
Todos porém sabem mexer nos cordéis 
com o tino ingênuo de demiurgos de inutilidades.
E ensinam no tumulto das ruas 
os mitos heróicos da meninice... 
E dão aos homens que passam 
preocupados ou tristes 
uma lição de infância.