aqui mora a poesia...

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Belo belo 1


Belo belo belo, 
Tenho tudo quanto quero. 

Tenho o fogo de constelações extintas há milenios. 
E o risco brevíssimo - que foi? passou - 
de tantas estrelas cadentes. 

A aurora apaga-se, 
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora. 

O dia vem, e dia adentro 
Continuo a possuir o segredo grande da noite. 

Belo belo belo, 
Tenho tudo quanto quero. 

Não quero o êxtase nem os tormentos. 
Não quero o que a terra só dá com trabalho. 

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis: 
Os anjos não compreendem os homens. 

Não quero amar, 
Não quero ser amado. 
Não quero combater, 
Não quero ser soldado. 

Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.