aqui mora a poesia...

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Balõezinhos


Na feira do arrabaldezinho 
Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor: 
“O melhor divertimento para as crianças!” 
Em redor dele há um ajuntamento 
de menininhos pobres, 
Fitando com olhos muito redondos 
Os grandes balõezinhos muito redondos. 
No entanto a feira burburinha. 
Vão chegando as burguesinhas pobres, 
E as criadas das burguesinhas ricas, 
E mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza. 
Nas bancas de peixe, 
Nas barraquinhas de cereais, 
Junto às cestas de hortaliças 
O tostão é regateado com acrimonia. 
Os meninos pobres não vêem as ervilhas tenras, 
Os tomatinhos vermelhos, 
Nem as frutas, 
Nem nada. 
Sente-se bem que para eles ali 
na feira os balõezinhos de cor 
são a única mercadoria útil 
e verdadeiramente indispensável. 
O vendedor infatigável apregoa: 
- “O melhor divertimento para as crianças!” 
E em torno do homem loquaz 
os menininhos pobres fazem 
um círculo inamovível de desejo e espanto.