aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

BAILARINA


Lembro-me agora, sim... O crepúsculo entorna 
Tons vulutineos de ouro entre nuvens de opala. Entontece-te o vinho, a música te embala 
E oferece na dança a taça doce e morna. 

Quantos caem no sonho em trágica madorna! arrastas sob os pés os corações sem fala... 
Imperas, soberana; e obedeces, vassala; 
Ninfa, volves da estrela e a lama te suborna. 

Flor de gaze e cetim, na ribalta de Roma, 
Hoje, trazem no peito horrendo carcinoma, 
Em cujo lodo triste o pretérito arrasas. 

No entanto, pela dor, hás de reerguer-te, um dia, 
E bailarás, no Céu, por vestal da alegria, 
Exaltando o amor puro, ao sol das próprias asas!...

Cícero França