aqui mora a poesia...

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ANTEVISÃO

                                                                                                                   
Quando a nuvem 
acionou seus canhões invisíveis, 
ribombando no espaço, 
ouvi a mensagem da abundância. 

Quando o raio 
cortou o tecido espesso das trevas 
com a lâmina da morte em esplendor, 
respirei o ar puro do céu lavado. 

Quando o vento sacudiu o arvoredo 
com seu rebenque aéreo, enxerguei as flores 
que permaneceriam 
fiéis aos frutos. 

Quando o aguaceiro jorrou dos céus, 
com as suas cataratas imensas, 
inundando os caminhos, 
vi a mesa farta, 
rodeada de crianças felizes. 

Quando o sofrimento aparece, 
diante de nós, 
crivando-nos o ser com farpas intangíveis, 
vejo nossas almas 
nos píncaros do Planeta, 
sob o fulgor sem sombra do zênite, 
cada qual carregando em si mesma 
o seu próprio Universo, 
prontas a desferir 
o vôo livre e belo 
para o sem-fim da Perfeição.

Caetano Pero Neto