aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

ANTE A VERDADE


Desditoso quem foge ao sol da crença 
E à treva da vaidade se confia... 
Porque a morte descerra novo dia 
Onde a noite da carne se condensa. 

Mais quisera servir sem recompensa 
Na estamenha do escravo se valia 
Que dominar na estrada escura e fria 
Por lodo e sombra ante a verdade imensa... 

Todo ouropel terreno se resume 
À lanterna de pobre vagalume, 
Mostrando claridade fementida!... 

Só aquele que, humilde, se prosterna 
No santo esforço para a Luz Eterna 
Sobe à glória dos píncaros da vida... 

Leopoldo de Bulhões