aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

ALMA IRMÃ


Dizem-te agora trêmula velhinha, 
Pálida flor no instante derradeiro; 
Buscaste, em vão, na Terra, um companheiro, 
Mas nem por isso foste menos minha. 

Sofreste sempre, sem chorar, sozinha, 
Envolvi-te em meu sonho alvissareiro... 
Quero-te as afeições do cativeiro 
Que atravessa com garbo de rainha. 

Beijo-te as mãos de cera, as cãs e as rugas, 
Guardo comigo as lágrimas que enxugas, 
Dou-te a esperança que me revigora... 

Bendize o pranto e a sombra, alma querida, 
Porque amanhã, mais jovens para a vida, 
Subiremos mais juntos, céus afora!...

Tondela Júnior