aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

ALCOÓLATRAS

Alcoólatra vampiro alça a boca debalde,
Ébrio desencarnado, a hedionda sede aguça. 
Híspidos lábios lambe e escancara a dentuça,
Tateia o vidro, em vão, do frasco verde e jalde.

Rápido, caça alguém no remoto arrabalde, 
Alcoólatra encarnado encontra e lhe refuça
A goela que se inflama, enrubesce e empapuça,  
Como a sacar de si mais sede que a rescalde.

Agarra-se o vampiro ao bêbado por entre
As vértebras do peito e as vísceras do ventre,
Toma-lhe o braço e o corpo... Estala a língua bronca!

A dupla bebe, bebe... E, às tontas, na calçada
Cai de borco no chão, estira-se largada,
Delira, geme, dorme, espolinha-se e ronca...


Honório Armond