aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Voz de fora


Como da copa verde uma folha caída

treme e deriva à flor do arroio fugidio,

deixa-te assim também derivar pela vida,

que é como um largo, ondeante e misterioso rio...


Até que te surpreenda a carne dolorida

aquela sensação final de eterno frio,

abre-te à luz do sol que à alegria convida,

e enche-te de canções, ó coração vazio!

A asa do vento esflora as camélias e as rosas.

Toda a paisagem canta. E das moitas cheirosas

O aroma dos mirtais sobe nos céus escampos.


Vai beber o pleno ar... E enquanto lá repousas,

esquece as mágoas vás na poesia dos campos

e deixa transfundir-te, alma, na alma das cousas.