aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Sol poente


Tardinha... "Ave-Maria, Mãe de Deus..." 
E reza a voz dos sinos e das noras... 
O sol que morre tem clarões d'auroras, 
Águia que bate as asas pelo céu! 
Horas que têm a cor dos olhos teus... 
Horas evocadoras doutras horas... 
Lembranças de fantásticos outroras, 
De sonhos que não tenho e que eram meus! 
Horas em que as saudades, p'las estradas, 
Inclinam as cabeças mart'rizadas 
E ficam pensativas... meditando... 
Morrem verbenas silenciosamente... 
E o rubro sol da tua boca ardente 
Vai-me a pálida boca desfolhando...