aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Interrogação


Neste tormento inútil, neste empenho 
De tornar em silêncio o que em mim canta, 
Sobem-me roucos brados à garganta 
Num clamor de loucura que contenho. 
Ó alma da charneca sacrossanta, 
Irmã da alma rútila que eu tenho, 
Dize para onde eu vou, donde é que venho 
Nesta dor que me exalta e me alevanta! 
Visões de mundos novos, de infinitos, 
Cadências de soluços e de gritos, 
Fogueira a esbrasear que me consome! 
Dize que mão é esta que me arrasta? 
Nódoa de sangue que palpita e alastra... 
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!