aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Esfinge


Sou filha da charneca erma e selvagem. 
Os giestais, por entre os rosmaninhos, 
Abrindo os olhos d'oiro, p'los caminhos, 
Desta minh'alma ardente são a imagem. 
Embalo em mim um sonho vão, miragem: 
Que tu e eu, em beijos e carinhos, 
Eu a Charneca e tu o Sol, sozinhos, 
Fôssemos um pedaço de paisagem! 
E à noite, à hora doce da ansiedade 
Ouviria da boca do luar 
O De Profundis triste da saudade... 
E à tua espera, enquanto o mundo dorme, 
Ficaria, olhos quietos, a cismar... 
Esfinge olhando a planície enorme...