aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Dize-me, amor, como te sou querida


Dize-me, amor, como te sou querida, 
Conta-me a glória do teu sonho eleito, 
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito, 
Arranca-me dos pântanos da vida. 
Embriagada numa estranha lida, 
Trago nas mãos o coração desfeito, 
Mostra-me a luz, ensina-me o preceito 
Que me salve e levante redimida! 
Nesta negra cisterna em que me afundo, 
Sem quimeras, sem crenças, sem ternura, 
Agonia sem fé dum moribundo, 
Grito o teu nome numa sede estranha, 
Como se fosse, amor, toda a frescura 
Das cristalinas águas da montanha!