aqui mora a poesia...

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Alentejo


À Buja 

Deu agora meio-dia; o sol é quente 
Beijando a urze triste dos outeiros. 
Nas ravinas do monte andam ceifeiros, 
Na faina, alegres, desde o sol nascente. 
Cantam as raparigas meigamente. 
Brilham os olhos negros, feiticeiros. 
E há perfis delicados e trigueiros 
Entre as altas espigas d'oiro ardente. 
A terra prende aos dedos sensuais 
A cabeleira loira dos trigais 
Sob a benção dulcíssima dos céus. 
Há gritos arrastados de cantigas... 
E eu sou uma daquelas raparigas... 
E tu passas e dizes: "Salve-os Deus!"