aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

À tua porta há um pinheiro manso


À tua porta há um pinheiro manso 
De cabeça pendida, a meditar, Amor! 
Sou eu, talvez, a contemplar 
Os doces sete palmos do descanso. 
Sou eu que para ti atiro e lanço, 
Como um grito, meus ramos pelo ar, 
Sou eu que estendo os braços a chamar 
Meu sonho que se esvai e não alcanço. 
Eu que do sol filtro os ruivos brilhos 
Sobre as louras cabeças dos teus filhos 
Quando o meio-dia tomba sobre a serra... 
E, à noite, a sua voz dolente e vaga 
É o soluço da minha alma em chaga: 
Raiz morta de sede sob a terra!