aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

A Anto!


Poeta da saudade, ó meu poeta qu´rido 
Que a morte arrebatou em seu sorrir fatal, 
Ao escrever o Só pensaste enternecido 
Que era o mais triste livro deste Portugal, 
Pensaste nos que liam esse teu missal, 
Tua bíblia de dor, teu chorar sentido 
Temeste que esse altar pudesse fazer mal 
Aos que comungam nele a soluçar contigo!
Ó Anto! Eu adoro os teus estranhos versos, 
Soluços que eu uni e que senti dispersos 
Por todo o livro triste! Achei teu coração... 
Amo-te como não te quis nunca ninguém, 
Como se eu fosse, ó Anto, a tua própria mãe Beijando-te já frio no fundo do caixão!