aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Poema póstumo

Duas horas em breve.
Estás deitada, talvez.
Na noite,
como um Oka de prata
a Via Láctea corre.
O tempo é meu, e os relâmpagos
que eram meus telegramas,
não mais te virão
despertar,
atormentar.
Como se diz: encerra-se o incidente.
A canoa do amor
foi-se quebrar de encontro ao quotidiano.

Eis-me quite contigo.
E é inútil o passar em revista
penas,
azares,
e recíprocas feridas.
Vê,
que paz no universo.
A noite
impôs ao céu
a servidão de tantas
tantas estrelas.
Chegou a hora
em que a gente se ergue e em que fala
aos séculos,
à História,
ao universo...