aqui mora a poesia...

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A mulher da noite

Eu fiquei imóvel e no escuro tu vieste.
A chuva batia nas vidraças
e escorria nas calhas - vinhas
andando e eu não te via
Contudo a volúpia entrou em mim
e ulcerou a treva nos
meus olhos.
Eu estava imóvel - tu caminhavas para mim
como um pinheiro erguido
E de repente, não sei, me vi acorrentado
no descampado
no meio de insetos
E as formigas me passeavam pelo corpo úmido.
Do teu corpo balouçante saíam
cobras que se eriçavam
sObre o meu peito
E muito ao longe me parecia ouvir uivos de lôbas.
E entÃo a aragem começou a descer
e me arrepiou os nervos
E os insetos se ocultavam nos meus ouvidos e zunzunavam
sôbre os meus lábios.
Eu queria me levantar
porque grandes reses me lambiam o rosto
E cabras cheirando forte urinavam
sobre as minhas pernas.
Uma angústia de morte começou
a se apossar do meu ser
As formigas iam e vinham, os insetos
procriavam e zumbiam
do meu desespEro
E eu comecei a sufocar sob a rês que me lambia.
Nesse momento as cobras apertaram o meu pescoço
E a chuva despejou sobre mim torrentes amargas.
Eu me levantei
e comecei a chegar, me parecia vir de longe
E não havia mais vida na minha frente.