aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Meu melhor verso

O auditório arremessa
suas perguntas ferinas,
insiste num desafio de papeletas:
“Camarada Maiakóvski,
leia seu melhor verso”.
Enquanto penso
talvez ler-lhes este
apanhado sobre a mesa
ou talvez aquele outro;
enquanto revejo
meu velho arsenal poético
e, muda, a sala espera,
o secretário do O Operário do Norte
lentamente
a meu ouvido
disse...
E eu gritei, saindo do tom poético,
mais alto do que as trombetas de Jericó:
“Camaradas:
Os trabalhadores
e as tropas de Cantão
tomaram Xangai!”
Como se amassassem o aplauso
com a palma das mãos
crescia a ovação,
crescia em força.
Cinco,
dez,
quinze minutos,
o salão aplaudia.
Parecia que a tormenta
cobria léguas e léguas
em resposta a todas as notas chamberlênicas
e rodava até chegar à China,
afastando os torpedeiros de Xangai.
Não comparo
a melhor geléia poética,
qualquer das maiores glórias poéticas,
com a simples notícia de jornal,
se a esta
nosso auditório aplaude.

Haverá por acaso
liga de maior força
que a solidariedade
da colmeia operária?
Aplaude,
obreiro têxtil,
aos desconhecidos
e queridos
coolies da China!