aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Humildade

Toda a terra que pisas, eu qu’ria ajoelhada,
Beijar terna e humilde em lânguido fervor;
Qu’ria poisar fervente a boca apaixonada
Em cada passo teu, ó meu bendito amor!

De cada beijo meu, havia de nascer
Uma sangrenta flor! Ébria de luz, ardente!
No colo purpurino havia de trazer
Desfeito no perfume o mist’rioso Oriente!

Qu’ria depois colher essas flores reais,
Essas flores de sonho, entranhas, sensuais,
E lançar-tas aos pés em perfumados molhos.

Bem paga ficaria, ó meu cruel amante!
Se, sobre elas, eu visse apenas uma instante
Cair como um orvalho os teus divinos Olhos!