aqui mora a poesia...

aqui mora a poesia...

Agonia

No teu grande corpo branco depois eu fiquei.
Tinhas os olhos lívidos e tive medo.
Já não havia sombra em ti
- eras como um grande deserto de areia
Onde eu houvesse tombado
após uma longa caminhada
sem noites.
Na minha angústia eu buscava
a paisagem calma
Que me havias dado tanto tempo
Mas tudo era estéril
e monstruoso e sem vida
E teus seios eram dunas desfeitas
pelo vendaval que passara.
Eu estremecia agonizando
e procurava me erguer
Mas teu ventre era como areia movediça
para os meus dedos.
Procurei ficar imóvel e orar,
mas fui me afogando em ti mesma
Desaparecendo no teu ser
disperso que se contraía
como a voragem.
Depois foi o sono, o escuro, a morte.
Quando despertei era claro
e eu tinha brotado novamente
Vinha cheio do pavor das tuas entranhas.